João Angelini (Planaltina, DF, 1980) é artista multimídia que vive e trabalha em Planaltina. Sua prática tem ponto de partida nos princípios da animação — antecipação, ação sobreposta, squash and stretch — e se ramifica em vídeos, animações, fotografias, gravuras, performances, objetos e NFTs, muitas vezes tomando como matéria bruta as contradições do interior brasileiro: cinza de incêndios, notas de dinheiro, osso de boi, grão de soja, mármore. Graduou-se em Artes Plásticas pela Universidade de Brasília (2001–2006) e é cofundador do grupo TresPe (Brasília) e membro do coletivo EmpreZa (Goiânia, desde 2008). Em 2007, realiza L.E.R. (Longa Exposição a Repetição): vídeo composto de centenas de fotografias de longa exposição de um protagonista exercendo ação de carimbar — animação construída sem pós-produção digital, onde burocracia e gesto se equivalem. Em 2012, de castigo inverte a lógica: o artista se torna o engravatado eternamente preso em suas próprias rotinas. Em 2014, a individual Esforço Repetitivo na Galeria Leme (São Paulo), com curadoria de Paulo Miyada, reúne L.E.R., de castigo, Corda Gota e Funk de 4 — quatro telas antigas fora de sintonia, cujas interferências formam um batidão. No mesmo ano, é indicado ao Prêmio PIPA e selecionado para o Rumos Itaú Cultural (Experimentos em Animação). Em 2015, recebe o Prêmio Marcantonio Vilaça (via grupo EmpreZa). Em 2021, realiza a série tudo que é sólido…: cubos de mármore arremessados ao ar e fotografados em sua queda sobre as vastas plantações de soja e milho do Cerrado — paisagem da infância em Planaltina. Em 2022, na 59ª Bienal de Veneza (Pavilhão dos Camarões), a série é apresentada como NFT: a virtualidade da queda infinita do cubo conversa com a especulação criptomoedas e o vazio que tomou as paisagens do Planalto Central. Em 2023, vence o Prêmio Transborda Brasília. Em 2025, comemora 20 anos de carreira com a individual Nem tudo que é sólido, desmancha no arado. Tem obras nos acervos da Pinacoteca do Estado de São Paulo, Museu de Arte do Rio (MAR) e Instituto Itaú Cultural. É representado pela Galeria Leme (São Paulo) e pela Albuquerque Contemporânea (Belo Horizonte).
Última atualização em 18/07/2026
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