Julio Primeiro (CE, 1983) desenvolve uma prática onde o pensamento plástico se articula a partir da matéria e dos ritmos vitais. Trabalhando com madeira, tecido, sementes e resina, constrói superfícies e objetos que guardam a memória do gesto manual e a precisão de um olhar técnico — peças que parecem crescer, secar, cicatrizar e, ao mesmo tempo, serem montadas como artefatos. A textura é princípio compositivo: a porosidade da madeira contrasta com o brilho translúcido da resina; as sementes funcionam como unidades de contagem e como vestígios de ciclos biológicos; o tecido atua ora como pele, ora como mapa de dobra e tensão. O processo privilegia operações repetitivas e intervenções graduais que revelam um tempo de trabalho onde crescimento e erosão coexistem. A cenografia e a fotografia documental que marcaram seus primeiros passos reaparecem na maneira como organiza o espaço expositivo.
Última atualização em 18/07/2026
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Obras catalogadas
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