Shoko Suzuki (Tóquio, 1929) é ceramista japonesa radicada no Brasil desde 1962. Cresceu durante a Segunda Guerra Mundial, experiência que ela dizia ter dado propósito à sua arte. Nos anos 1950, rompeu com o sistema tradicional que raramente aceitava mulheres e conquistou um estágio com o mestre ceramista Tōko Karasugi, formando-se por uma década. Casou-se com o pintor Yukio Suzuki. Em 1955, iniciou carreira expositiva em Tóquio na Ando Gallery, seguida de mostras na Mitsukoshi Gallery, no Museu Nacional de Tóquio e na Yoseido Gallery. Em 1962, inspirada por um programa de televisão da emissora NHK sobre o Brasil, o casal vendeu os pertences e emigrou, chegando ao porto de Santos em maio de 1962. Instalou-se em Mauá (SP), trabalhando descalça em torno manual e experimentando argilas locais e esmaltes de cinzas naturais de plantas e vegetais brasileiros. Em 1964, mudou-se para Cotia (SP), onde construiu seu primeiro forno noborigama, o Saigama 彩窯 ('forno de cor'), a partir de um projeto presenteado por um amigo ceramista japonês antes da partida, usando tijolos reciclados da fábrica de porcelana Mizuno. Em 1967, realizou sua primeira kamabiraki (cerimônia de abertura do forno), reunindo cerca de 800 convidados. Foi a primeira artista plástica nascida no Japão a realizar exposição individual no MASP (1975). Responsável pela introdução da queima em alta temperatura em forno noborigama no Brasil, influenciando gerações de ceramistas como Akinori Nakatani, Mieko e Toshiyuki Ukeseki. Sua prática é uma fusão poética da cerâmica japonesa tradicional com o ambiente tropical brasileiro: formas orgânicas de vasos, potes e pratos com incisões simbólicas e temas de raízes, plantas, paisagens e cosmos. Em 2021, foi condecorada com a Ordem do Sol Nascente, Raios de Ouro e Prata, pelo governo japonês. Representada pela Gomide&Co (São Paulo) e pela Salon 94 (Nova York), continua ativa em Cotia.
Última atualização em 18/07/2026
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